sabato 7 giugno 2008

"Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe. O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, nao sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observacäo dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho, pintor - sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor. Ao meditar sobre as razoes da mudanca exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supös que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abragendo tanto o mundo das coisas como o da imaginacäo. Era a lei da metamorfose. Comprendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo."

Da: Herberto Helder, Teoria das cores, in Os Passos em volta,Assírio&Alvim, 2006, Lisboa, pp. 23-24.

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