giovedì 30 ottobre 2008

CAFÉ DU DÉPART

I

Minutos
nítidos e redondos
como gotas de água
Minutos.
Quando chegares
as palavras
estarão vazias de sentido

II

Eis que chegaste
E cada coisa
recomeçou o
gesto interrompido

Isabel Meyrelles

Isabel Meyrelles (Portugal, 1929)
fonte immagine: http://www.revista.agulha.nom.br/ag49meyrelles.htm

Ama como a estrada começa

Estive a ver o documentário sobre o Mário Cesariny "Ama como a estrada começa"...Há coisas que deixam uma espécie de vazio (no bom sentido..claro) misturado à vontade de fazer algo...é assim que me sinto cada vez que vejo algo que tem a ver com o Cesariny... mas não há palavras que possam explicar o que se sente quando o Cesariny fala...só ele pode, portanto...

"Sou um homem
um poeta
uma máquina de passar vidro colorido
um copo uma pedra
uma pedra configurada
um avião que sobe levando-te nos braços
que atravessam agora o último glaciar da terra

o meu nome está farto de ser escrito na lista dos tiranos: condenados à morte!
os dias e as noites deste século têm gritado tanto no meu peito
que existe nele uma árvore miraculada
tenho um pé que já deu a volta ao mundo
e a família na rua
um é loiro
outro moreno
e nunca se encontrarão
conheço a tua voz como os meus dedos
(antes de conhecer-te já eu ia beijar-te a tua casa)
tenho um sol sob a pleura
e toda a água do mar à minha espera
quando amo imito o movimento das marés
e os assassínos mais vulgares do ano
sou, por fora de mim, a minha gabardina
e eu o pico Everest
posso ser visto à noite na companhia de gente altamente suspeita
e nunca de dia a teus pés florindo a tua boca
porque tu és o dia porque tu és
a terra onde eu há milhares de anos vivo parábola
do rei morto,do vento e da primavera
Quanto ao de toda a gente - tenho visto qualquer coisa
Viagens a Paris - já se arranjaram algumas.
Enlaces e divórcios de ocasião -não foram poucos.
Conversas com meteoros internacionais - também, já por cá passaram.
Eu sou, no sentido mais energético da palavra
uma carruagem de propulsão por hálito
os amigos que tive as mulheres que assombrei as ruas por onde
passei uma só vez
tudo isso vive em mim para uma história
de sentido ainda oculto
magnífica irreal
como uma povoação abandonada aos lobos
lapidar e seca
como uma linha férrea ultrajada pelo tempo
e é por isso que eu acho que as paisagens ainda hão-de vir a ser
escrupulosamente electrocutadas vivas
para não termos de atirá-las semi-mortas à linha

E para dizer-te tudo
dir-te-ei que aos meus vinte e cinco anos de existência solar estou
em franca ascensão para ti O Magnífico
na cama no espaço de uma pedra em Lisboa-Os-Sustos
e que o homem-expedição de que não há notícias nos jornais
nem lágrimas à porta das famílias
sou eu meu bem sou eu partido de manhã encontrado perdido
entre lagos de incêndio e o teu retrato grande!"

Autografia
, in Pena Capital
Mario Cesariny

Mário Cesariny- Sem Título

Actuação Escrita

Pode-se escrever


Pode-se escrever sem ortografia

Pode-se escrever sem sintaxe

Pode-se escrever sem português

Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua

Pode-se escrever sem saber escrever

Pode-se pegar na caneta sem haver escrita

Pode-se pegar na escrita sem haver caneta

Pode-se pegar na caneta sem haver caneta

Pode-se escrever sem caneta

Pode-se sem caneta escrever caneta

Pode-se sem escrever escrever plume

Pode-se escrever sem escrever

Pode-se escrever sem sabermos nada

Pode-se escrever nada sem sabermos

Pode-se escrever sabermos sem nada

Pode-se escrever nada

Pode-se escrever com nada

Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever

Pedro Oom

Actuação Escrita

Lisboa, & Etc., 1980

mercoledì 29 ottobre 2008

E adesso aspetterò domani
per avere nostalgia
signora libertà signorina anarchia
così preziosa come il vino
così gratis come la tristezza
con la tua nuvola
di dubbi e di bellezza


Fabrizio de André


Poema Visual de António Aragão, sem data

fonte: http://ocontrariodotempo.blogspot.com/

#aprendizagem

Aprendemos desde pequenos que, ao longo da nossa vida, os acontecimentos são uma lição que temos que adquirir como se fosse um tesouro. Quando somos crianças pensamos que são conversas da treta feitas para nos chatear,mas não é assim...As vezes temos que parar um bocado, deixar de olhar para nos, para ver o que se passa no resto do mundo, e sem ser assim geral, para ver o que se passa à nossa volta...
Trabalhar como interprete num centro de acolhimento para refugiados políticos está a mostrar-me o lado difícil de encontrar paz noutro lugar longe do próprio pais..Nao é nada de novo para mim, mas entrar em contacto directo com estas realidades muda o critério do nosso pensamento... Difícil mesmo porque é difícil encontrar paz, nem que seja aquela necessária apenas a sobreviver. Tens sempre que responder às perguntas e lembrar coisas que queres esquecer e tens sempre que justificar qualquer coisa, até a mais básica. Só o facto de estar vivo é um milagre, isso devia ajudar mais ou menos, mas depois vêm as obrigações, aquelas que te podem manter num lugar, e a partir dai o medo de ter que voltar para trás para uma situação que escolheste deixar convencido de encontrar outra melhor.. mas não é sempre assim. Nos ensinaram que a liberdade é a possibilidade que o homem tem de agir e pensar em plena autonomia, o Gandhi dizia que "Não vale a pena ter a liberdade se isto não implica o facto de ter a liberdade de errar".. Mas estas são só palavras, ninguém pensa nisto e ninguém olha para além do próprio lindo nariz, até que um dia, quando algo lhe acontecer, terá que fazer as contas com tudo aquilo que podia ter feito e que não fez.

''Il mondo fantastico di Picasso''


I disegni dell'adolescenza, gli oli su tela, i gessetti colorati su carta e i tratti a china su carta con filigrana: sono le 66 opere di Picasso, provenienti dalla collezione Wurth e da collezionisti privati della Germania del sud, esposte a palazzo dei Normanni, a Palermo.

La mostra, è stata inaugurata domenica 26 ottobre alle 19, rimarrà aperta al pubblico per 5 mesi, fino all'8 marzo. L'allestimento dedicato all'artista spagnolo è il quarto organizzato dal gruppo Wurth a palazzo dei Normanni, con l'Assemblea regionale siciliana. Una sezione della mostra è dedicata alle donne di Picasso: si va dalla "Donna con cesto" a "Profilo di donna"; da "La bella Fernanda" a "Ritratto di Francoise Gilot"; da "Jacqueline" alle inedite "Donne di Mougins"; non mancano le opere ispirate alla mitologia come "Venere e Amore" e a una delle passioni di Picasso: le colombe. Sono esposte, infatti, due esemplari in terracotta bianca realizzate a mano. Per Roland Doschka, curatore dell'allestimento "é una grande sfida per carpire la genialità di Picasso: un'occasione resa possibile dall'importanza qualitativa e quantitativa delle opere esposte".

fonte: http://www.siciliainformazioni.com/giornale/cultura/30530/sinaugura-palermo-mostra-dedicata-picasso-opere-dellartista-spagnolo-palazzo-normanni.htm

martedì 28 ottobre 2008

revista Bíblia

Recebo o mail do Tiago e a newsletter da Bíblia. Tem que se fazer algo para que esta revista continue a ser publicada. Portanto eis aqui algumas informaçoes sobre a Bíblia, sobre a campanha de assinaturas e os links.

A revista Bíblia caracteriza-se pela variedade das áreas artísticas que abrange como a ilustração, desenho, fotografia, pintura, design, banda desenhada, video prints, prosa, conto e poesia.
A revista não exclui abordagens á arquitectura, cinema, teatro e música.
Pelas páginas da revista, que funciona como espaço de encontro de uma geração ja passaram cerca de 400 colaboradores nacionais e internacionais.

Car@s amig@s:

Vimos por este meio divulgar a campanha de assinaturas da Revista Bíblia. Como sabes, muito poucos têm sido os apoios que a Revista tem tido nestes últimos 12 anos, impossibilitando não só a sua natural expansão, mas colocando também em risco, mais uma vez, o seu labor.

Desta forma, o que te solicitamos é que assines a Revista nesta nossa Mega Campanha de Assinaturas. TU, podes ajudar a que a Revis

ta continue, a fazer o trabalho que muitos têm louvado mas que as instituições de apoio á Cultura pouco têm apoiado.

A campanha consiste na assinatura de quatro números da Revista por 20 euros, recebendo ainda um número anterior à tua escolha, sendo ainda as revistas enviadas sem acréscimos de portes. Podes também adquirir números antigos da revista para completar a tua colecção por 5 euros cada e o nosso livro-compilação por 20 euros.

As assinaturas podem ser feitas através de cheque, vale postal ou dinheiro para:

Tiago Gomes

Rua da Boavista n.º 76, 2º

1200 Lisboa

ou ainda através de transferência bancária para a conta 003500110000346010019 da Caixa Geral de Depósitos.

Também se aceitam donativos e/ou publicidade às vossas actividades ou empresas, bem como propostas para apresentações ou lançamentos.

Para mais informações, contactar Tiago Gomes - 21 3479241 / 93 4571627 ou ainda através do e-mail cimagomes@hotmail.com

Contamos com a tua adesão e divulgação!

Saudações Bíblicas,

Tiago Gomes

Links:
http://www.revista-biblia.com
my space: http://www.myspace.com/revista_biblia

algumas capas:
# 25
# 27

lunedì 27 ottobre 2008

Easy



Know it sounds funny but I just cant stand the pain
Girl Im leaving you tomorrow
Seems to me girl you know Ive done all I can
You see I begged, stole and I borrowed
Yeah
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning
I wanna be high
Soo high
I wanna be free to know the things I do are right
I wanna be free
Just me
Oh baby
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning

Faith no more

domenica 26 ottobre 2008

Intervista a Vinicio alle Invasioni Barbariche...l'unica pecca: la presentatrice...e vabbè...ma Vinicio è sempre Vinicio

http://www.la7.it/approfondimento/dettaglio.asp?prop=invasioni&video=18306

venerdì 24 ottobre 2008

PA-RA-DA un film di Marco Pontecorvo

cansei de ser sexy - one way or another (blondie cover)

(Um espaço especial para uma pessoa muito especial)
Parabéns N!!!
A música é só para dizer que mais cedo ou mais tarde irei te encontrar (no sentido em que irei ai, não desespere!!) As letras não querem dizer propriamente isto, mas não faz mal..achei piada!!

giovedì 23 ottobre 2008

# viagem

Através duma viagem pensamos que tudo passa, e afinal encontramos o que tinhamos esquecido...tentar, tentar não faz mal..todo os dias tentamos reagir às coisas e começamos uma viagem convencidos com o facto que tudo vai passar... panta rei, os homens não podem cair mais do que uma vez nas mesmas aguas do rio, não é? muda tudo...no entanto não podemos esperar porque o tempo passa e os acontecimentos são muitos e demais, e quando reparamos olhamos para o rio a correr, e com as suas aguas as nossas acções...

In viaggio



Girano i Sufi in tondo nello spazio
Nel tempo
Salgono i verticali i monaci in clausura
Immobili
Viaggiano l'alto il basso senza abbellimenti
(Cadono di vertigine...
Cadono di vertigine...)
Strisciano verso il ritmo i tarantolati schiacciati dallo spazio senza tempo

Viaggiano i viandanti viaggiano i perdenti
Viaggiano i perdenti più adatti ai mutamenti viaggia Sua Santità

Consumano la terra in percorsi obbligati i cani alla catena
Disposti a decollarsi per un passo inerte più in là
Coprono spazi ottusi gli idoli
Clonano miliziani dai ritmi cadenzati
In sincrono

Viaggiano i viandanti viaggiano i perdenti
Viaggiano i perdenti più adatti ai mutamenti viaggia Sua Santità

Viaggiano i viandanti viaggiano i perdenti più adatti ai mutamenti
Viaggia la polvere viaggia il vento viaggia l'acqua sorgente
Viaggiano i viandanti viaggiano i perdenti pi adatti ai mutamenti viaggia Sua Santità
Viaggiano ansie nuove e sempre nuove crudeltà
Cadono di vertigine...

C.S.I

mercoledì 22 ottobre 2008

La falena e la Candela




Ti veste soltanto la luce
mi dici parole d'amore
conosciute mai
Lontano da qui
Ricordo dell'unica falena
che non tornerà

Astratta fontana di luce
sognata un lunghissimo istante
Forse porterai
Lontano da qui
Ricordo dell'unica falena
che m'amava già.

Sapere che il Tutto è Uno
Sentire che l'Uno è il Tutto
Tra di noi c'è solo l'Io
Che mi tiene lontano da te.

I Know that All is One
Feeling that One is All
Between us only me
Keeping me far from You

Radiodervish

martedì 21 ottobre 2008

La java des bombes atomiques



Mon oncle un fameux bricoleur
Faisait en amateur
Des bombes atomiques
Sans avoir jamais rien appris
C'était un vrai génie
Question travaux pratiques
Il s'enfermait tout' la journée
Au fond d'son atelier
Pour fair' des expériences
Et le soir il rentrait chez nous
Et nous mettait en trans'
En nous racontant tout

Pour fabriquer une bombe " A "
Mes enfants croyez-moi
C'est vraiment de la tarte
La question du détonateur
S'résout en un quart d'heur'
C'est de cell's qu'on écarte
En c'qui concerne la bombe " H "
C'est pas beaucoup plus vach'
Mais un' chos' me tourmente
C'est qu'cell's de ma fabrication
N'ont qu'un rayon d'action
De trois mètres cinquante
Y a quéqu'chos' qui cloch' là-d'dans
J'y retourne immédiat'ment

Il a bossé pendant des jours
Tâchant avec amour
D'améliorer l'modèle
Quand il déjeunait avec nous
Il avalait d'un coup
Sa soupe au vermicelle
On voyait à son air féroce
Qu'il tombait sur un os
Mais on n'osait rien dire
Et pis un soir pendant l'repas
V'là tonton qui soupir'
Et qui s'écrie comm' ça

A mesur' que je deviens vieux
Je m'en aperçois mieux
J'ai le cerveau qui flanche
Soyons sérieux disons le mot
C'est même plus un cerveau
C'est comm' de la sauce blanche
Voilà des mois et des années
Que j'essaye d'augmenter
La portée de ma bombe
Et je n'me suis pas rendu compt'
Que la seul' chos' qui compt'
C'est l'endroit où s'qu'ell' tombe
Y a quéqu'chose qui cloch' là-d'dans,
J'y retourne immédiat'ment

Sachant proche le résultat
Tous les grands chefs d'Etat
Lui ont rendu visite
Il les reçut et s'excusa
De ce que sa cagna
Etait aussi petite
Mais sitôt qu'ils sont tous entrés
Il les a enfermés
En disant soyez sages
Et, quand la bombe a explosé
De tous ces personnages
Il n'en est rien resté

Tonton devant ce résultat
Ne se dégonfla pas
Et joua les andouilles
Au Tribunal on l'a traîné
Et devant les jurés
Le voilà qui bafouille
Messieurs c'est un hasard affreux
Mais je jur' devant Dieu
En mon âme et conscience
Qu'en détruisant tous ces tordus
Je suis bien convaincu
D'avoir servi la France
On était dans l'embarras
Alors on l'condamna
Et puis on l'amnistia
Et l'pays reconnaissant
L'élu immédiat'ment
Chef du gouvernement


Boris Vian

domenica 19 ottobre 2008

“Jean Michel Basquiat - Fantasmi da scacciare”

Mostra di J.M. Basquiat a Roma: Museo del Corso

Al Museo del Corso di Roma dal 2 ottobre 2008 al 1 febbraio 2009 si terrà la mostra “Jean Michel Basquiat - Fantasmi da scacciare”, una retrospettiva su Jean Michel Basquiat.
Basquiat è uno dei più importanti esponenti del graffitismo americano, un’esistenza segnata dalla droga, che lo condusse ad una morte prematura il 12 agosto del 1988, quando venne ritrovato privo di vita nel suo appartamento. Le sue opere incarnano le grida di chi ha vissuto l’indifferenza e la discriminazione dei sobborghi di New York. La mostra al Museo del Corso di Roma, raccoglie 40 opere: figure nere, immagini inserite nel paesaggio della sua gioventù (auto, poliziotti, cartoni animati, fumetti, graffiti su tele. Modelli culturali di zone urbane, principalmente di quelle nere, spesso emarginate che si traducono in opere di forti tensioni emotive. Una mostra da non perdere per capire l'arte del grande artista Jean Michael Basquiat e scoprire l'altra faccia di New York.

Mostra di "Jean Michel Basquiat - Fantasmi da scacciare"
Museo del Corso,
Via del Corso 320, Roma
Dal 2 ottobre 2008 al 1 febbraio 2009
Orari: 10.00-19.30 (tutti i giorni), 10.00-20.30 (venerdì - domenica)
Ingresso: €10,00 intero
Info tel: 066786209

fonte: http://www.voxita
.com/2008/10/mostra-di-jm-basquiat-roma-museo-del.html

She wants revenge - out of control

sabato 18 ottobre 2008

#

"Quello che l'uomo cerca nel piacere è un infinito e nessuno rinuncerebbe mai alla speranza di raggiungere questo infinito" Cesare Pavese

nella speranza di raggiungere PARTE di questo infinito vado a Roma, parto per molto poco...ma questo molto poco spero mi aiuti a raggiungere la totalità di qualcosa che auspico da tempo...
...a coloro i quali si perdono in queste pagine...non trovando di meglio da leggere...dico che ci vediamo quando torno...magari sarò ancora più ispirata...speriamo...
até breve!

illustrazione: Devendra Banhart

venerdì 17 ottobre 2008

Les Negresses Vertes - Face a la mer Massive Attack remix

Oblique et coupant l'ombre un torrent éclatant
Ruisselait en flots d'or sur la dalle polie
Où les atomes d'ambre au feu se miroitant
Mêlaient leur sarabande à la gymnopédie
da: J.P. Contamine de Latour, Les Antiques

Eric Satie, Gymnopedie I

Verrà la morte e avrà i tuoi occhi



Verrà la morte e avrà i tuoi occhi-
questa morte che ci accompagna
dal mattino alla sera, insonne,
sorda, come un vecchio rimorso
o un vizio assurdo. I tuoi occhi
saranno una vana parola,
un grido taciuto, un silenzio.
Così li vedi ogni mattina
quando su te sola ti pieghi
nello specchio. O cara speranza,
quel giorno sapremo anche noi
che sei la vita e sei il nulla

Per tutti la morte ha uno sguardo.
Verrà la morte e avrà i tuoi occhi.
Sarà come smettere un vizio,
come vedere nello specchio
riemergere un viso morto,
come ascoltare un labbro chiuso.
Scenderemo nel gorgo muti.

Cesare Pavese

giovedì 16 ottobre 2008

A Arte, estão lembrados, a arte é como uma marioneta
(Paul Celan)


A arte
é mesmo uma espécie de marioneta

um ocorrer ficcionado

manobrado por escondidas mãos

Quando sai à rua

seu corpo corrompe-se no disfarce

é como um Dom Roberto:

atrai

para um momento o outro

que escuta distraído
e sempre de passagem

A arte sofre quando se torna espectáculo

(eu mesma o disse há anos)


Ana Hatherly, O Pavão Negro, Assírio&Alvim


martedì 14 ottobre 2008

A palavra misteriosa

Sobe da sombra mais opaca
a tua figura radiosa
oh palavra misteriosa!

No obscuro pulsar de cada acto
reconstr
óis tudo por ausência
e o sentido consentido
sobe sem esforço as tuas escarpas

Potencial qualidade do outro
o teu segredo est
á
numa parábola
numa elipse
num ponto só
infinitamente alheio e sem medida

Ana Hatherly, in O pavão Negro

ROTURA



performance de Ana Hatherly realizada em 1977 na galeria Quadrum, em Lisboa

domenica 12 ottobre 2008

Pensar é encher-se de tristeza

Pensar é encher-se de tristeza
e quando penso
não em ti
mas em tudo
sofro

Dantes eu vivia só
agora vivo rodeada de palavras
que eu cultivo
no meu jardim de penas

Eu sigo-as
e elas seguem-me:
são o exigente cortejo
que me persegue

Em toda a parte
oiço o seu imenso clamor

Ana Hatherly, O pavão negro


illustrazione di Devendra Banhart

sabato 11 ottobre 2008

on the road- homenagem ao Kerouac,Tiago Gomes e Tó Trips



..estava a ouvir Dead Combo..dai pensei no Tó Trips e logo no Tiago!!!portanto vou com essa homenagem ao cabrini, que não tem que se preocupar, la voltarei cedo...

giovedì 9 ottobre 2008

Ana Hatherly

“As palavras aproximam:
prendem-soltam
são montanhas de espuma
que se faz-desfaz
na areia da fala

Soltam freios
abrem clareiras no medo
fazem pausa na aflição

Ou então não:
matam
afogam
separam definitivamente

Amando muito muito
ficamos sem palavras”

As Palavras Aproximam, da: "O Pavão Negro", Assírio&Alvim
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Labirinto de letras


fonte: http://bibliotecariodebabel.com/tag/ana-hatherly/

...para quem estava a espera...como eu...

A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & Inédita representa o esperado regresso de Herberto Helder. Um novo volume de poesia, com todo o rigor e beleza a que nos habituou.

A Faca Não Corta o Fogo — Súmula & Inédita
Herberto Helder

Edição encadernada (208 pp)
Classificação: Poesia
Colecção: Grãos de Pólen
20 €

Assírio &Alvim

Engoli
água. Profundamente: — a água estancada no ar.
Uma estrela materna.
E estou aqui devorado pelo meu soluço,
leve da minha cara.
O copo feito de estrela. A água com tanta força
no copo. Tenho as unhas negras.
Agarro nesse copo, bebo por essa estrela.
Sou inocente, vago, fremente, potente,
tumefacto.
A iluminação que a água parada faz em mim
das mãos à boca.
Entro nos sítios amplos.
— O poder de reluzir em mim um alimento
ignoto; a cara
se a roça a mão sombria, acima
da camisa inchada pelo sangue,
abaixo do cabelo enxuto à lua. Engoli
água. A mãe e a criança demoníaca
estavam sentadas na pedra vermelha.
Engoli
água profunda.

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se do fundo da garganta aos dentes a areia do teu nome,
se riscasse com a abrasadura, se
em cima e em baixo mexido às escuras,
o forno com a mão a ver se ela podia
que uma púrpura em flor fosse até ao coração,
unhas e tudo,
que estremecesse, não por dito mas sabido
contra ti, e por artes
antigas trazer o ar, fazer uma
iluminação:
mudar o mundo para que o nome coubesse,
vivaz, tocado, fértil,
houvesse um dom inseparável, música, verbo:
se eu pudesse, se a terra
se atrasasse,
se pudesse em amarga língua portuguesa com o teu nome em qualquer
parte,
para eu mesmo riscar contra ti,
raiar contra ti,
sob
serapilheiras de sangue

fonte: http://www.assirioealvim.blogspot.com/

domenica 5 ottobre 2008

Sulla Libertà- Gibran

"E un oratore disse: Parlaci della Libertà.
E lui rispose:
Alle porte della città e presso il focolare vi ho veduto, prostrati, adorare la vostra libertà,
Così come gli schiavi si umiliano in lodi davanti al tiranno che li uccide.
Sì, al bosco sacro e all'ombra della rocca ho visto che per il più libero di voi la libertà non era che schiavitù e oppressione.
E in me il cuore ha sanguinato, poiché sarete liberi solo quando lo stesso desiderio di ricercare la libertà sarà una pratica per voi e finirete di chiamarla un fine e un compimento.
In verità sarete liberi quando i vostri giorni non saranno privi di pena e le vostre notti di angoscia e di esigenze.
Quando di queste cose sarà circonfusa la vostra vita, allora vi leverete al di sopra di esse nudi e senza vincoli.


Ma come potrete elevarvi oltre i giorni e le notti se non spezzando le catene che all'alba della vostra conoscenza hanno imprigionato l'ora del meriggio?
Quella che voi chiamate libertà è la più resistente di queste catene, benché i suoi anelli vi abbaglino scintillando al sole.

E cos'è mai se non parte di voi stessi ciò che vorreste respingere per essere liberi?
L'ingiusta legge che vorreste abolire è la stessa che la vostra mano vi ha scritto sulla fronte.
Non potete cancellarla bruciando i libri di diritto né lavando la fronte dei vostri giudici, neppure riversandovi sopra le onde del mare.


Se è un despota colui che volete detronizzare, badate prima che il trono eretto dentro di voi sia già stato distrutto.
Poiché come può un tiranno governare uomini liberi e fieri, se non per una tirannia e un difetto della loro stessa libertà e del loro orgoglio ?
E se volete allontanare un affanno, ricordate che questo affanno non vi è stato imposto, ma voi l'avete scelto.
E se volete dissipare un timore, cercatelo in voi e non nella mano di chi questo timore v'incute.
In verità, ciò che anelate e temete, che vi ripugna e vi blandisce, ciò che perseguite e ciò che vorreste sfuggire, ognuna di queste cose muove nel vostro essere in un costante e incompiuto abbraccio.

Come luci e ombre unite in una stretta, ogni cosa si agita in voi.
e quando un'ombra svanisce, la luce che indugia diventa ombra per un'altra luce.
E così quando la vostra libertà getta le catene diventa essa stessa la catena di una libertà più grande."

da: Il profeta,
Kahil Gibran

Rabindranath Tagore

"Vita della mia vita,
sempre cercherò di conservare
puro il mio corpo,
sapendo che la tua carezza vivente
mi sfiora tutte le membra.

Sempre cercherò di allontanare
ogni falsità dai miei pensieri,
sapendo che tu sei la verità
che nella mente
mi ha acceso la luce della ragione.

Sempre cercherò di scacciare
ogni malvagità dal mio cuore,
e di farvi fiorire l'amore,
sapendo che hai la tua dimora
nel più profondo del cuore.

E sempre cercherò nelle mie azioni
di rivelare te,
sapendo che è il tuo potere
che mi dà la forza di agire."
da: Gitanjali
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Oh, poeta, la sera s'avvicina;
i tuoi capelli diventano grigi.
Nel tuo meditare solitario
odi il messaggio dell'aldilà?

« E' sera », rispose il poeta,
« e sto in ascolto perché dal villaggio
qualcuno potrebbe chiamarmi,
sebbene l'ora sia tarda.
Osservo se i giovani cuori vagabondi
s'incontrano, e due paia d'occhi supplicanti
chiedono che la mia musica
rompa il loro silenzio
e parli per loro.
Chi tesserà i loro canti appassionati,
se io siedo sulla riva della vita
contemplando la morte e l'aldilà? »

« Già tramonta la stella della sera.
Il fuoco d'una pira funeraria
muore lentamente
presso il fiume silenzioso.
Dal cortile d'una casa deserta
gli sciacalli urlano in coro
alla luce della luna sfinita.
Se un viandante, lasciando la casa,
viene qui a contemplare la notte
e ad ascoltare a testa china
il mormorio dell'oscurità,
chi gli sussurrerà i segreti della vita
se io, chiudendo le mie porte,
cercassi di liberarmi
dai legami mortali? »

« Poco importa se i miei capelli diventano grigi.
Sono sempre giovane e vecchio
Come il più giovane e il più vecchio
di questo villaggio.
Alcuni hanno negli occhi sorrisi
semplici e dolci,
alcuni un furbesco ammiccare.
Alcuni piangono alla luce del giorno,
altri piangono in segreto nel buio.
Hanno tutti bisogno di me,
e non ho tempo
di rimuginare sull'eternità.
Ho la stessa età di ciascuno,
e cosa importa
se i miei capelli diventano grigi? »


da: Il Giardiniere

sabato 4 ottobre 2008

Mário Viegas



Era hua vez dez meninas
de hua aldeia muito probe.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão nove.
Era hua vez nove meninas
que só comeam biscoito.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão oito.
Era hua vez oito meninas
em terras de dom Esparguete.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão sete.
Era hua vez sete meninas
lindas como outras não veis.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão seis.
Era hua vez seis meninas
em landas de Charles Quinto.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão cinco.
Era hua vez cinco meninas
em um triângulo equilatro.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão quatro.
Era hua vez quatro meninas
qu'avondavam só ao mês.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão três.
Era hua vez três meninas
em o paço de dom Fuas.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão duas.
Era hua vez duas meninas
ante um home todo espuma.
Deu o trangolomanglo nelas
transformaram-se em só uma.
Era hua vez uma menina
terrada em coval mui fundo.
Deu o trangolomanglo nela
voltaram as dez ao mundo.

Mário Cesariny

Operário em Construção

venerdì 3 ottobre 2008

Inaugurazione mostra omaggio a Mario Cassisa

In occasione della Giornata del Contemporaneo, promossa dalla Associazione dei Musei d’Arte Contemporanea Italiani (AMACI), al Baglio Di Stefano di Gibellina (Tp) si sceglie di celebrare l'opera dell'istintività, dei visionari, degli eccentrici, degli appassionati che si sono nutriti più di arte che di pane.
Alle 17 viene presentato, da Alfonso Leto e dall'autrice, il libro 'Irregolari. Art Brut e Outsider Art in Sicilia' di Eva Di Stefano, collana diretta da Davide Lacagnina, edito da Kalòs.
“Irregolari“ gli otto artisti siciliani a cui è dedicato questo libro: visionari, illetterati,eccentrici,animati da una vocazione spontanea e insopprimibile. Esistenze ai margini che nell’esperienza, più o meno clandestina, dell’arte hanno rinnovato, lungo il corso del XX secolo, un ancestrale bisogno d’espressione … fuori dai canoni convenzionali e dal contesto della cultura ufficiale.

Subito dopo viene inaugurata negli spazi del Museo delle Trame Mediterranee, dove rimarrà fino al 4 novembre, una mostra omaggio a Mario Cassisa, pittore recentemente scomparso.
Cassisa aveva girato molto, visitando il Giappone, gli Stati Uniti, il Messico, Londra, Parigi... scegliendo di portare poi nell'atelier di Trapani il mondo intero, il suo, fatto di colori e calori.

Nello spirito della coesistenza delle differenze e dei diversi linguaggi, al Museo delle Trame Mediterranee vengono presentate due nuove sezioni, due nuove direzioni di ricerca: una dedicata all’arte del Centro Africa e l’altra al ricamo.
Le sculture, i totem, i costumi, le maschere dal Camerun, Niger, Tanzania, Mali, a testimoniare l’apporto di queste culture all’arte contemporanea e a quella mediterranea.
Il ricamo, nei suoi motivi arcaici, mostra la permanenza nel tempo delle decorazioni; pregiati documenti di un linguaggio che in Sicilia ha avuto specifiche tecniche, producendo veri capolavori.

SABATO 4 OTTOBRE 2008 ore 17.00

‘Irregolari. Art Brut e Outsider Art in Sicilia’- Presentazione del libro

Omaggio a Mario Cassisa - Mostra temporanea

4 ottobre - 4 novembre 2008
Atelier del Baglio Di Stefano, Museo delle Trame Mediterranee, Gibellina (TP)

Fondazione Orestiadi - Museo delle Trame Mediterranee
Baglio Di Stefano
Gibellina
info@orestiadi.it
http://www.orestiadi.it/


fonte: http://www.teknemedia.net/archivi/2008/10/4/mostra/33311.html

giovedì 2 ottobre 2008

Cesariny...



Cesariny declama Mário de Sá-Carneiro
Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Moro em Lisboa- Madredeus

Hoje recebi um email...e nestes dias tenho andado a receber vários, todos me pedem para voltar, para voltar a Lisboa, e eu bem queria...a ideia de que todos (ou seja todas as pessoas importantes para mim) pensem em mim e me peçam para voltar me faz sentir bem... que me digam que Lisboa é a minha cidade é uma sensação fantástica, sobretudo porque é o que eu sinto também...por isso pensei logo nesta musica...com a esperança (e tenho a certeza) que cedo voltarei...

Que outra cidade
Levantada sobre o mar
à beira rio
Acabou por se elevar
Entre dois braços de água
Um de sal, outro de nada
água doce, água salgada
águas que abraçam Lisboa
cá em Lisboa
Que o Tejo chega ao mar
cá em Lisboa
Que o mar azul recebe o rio
E essa brisa que nos faz
Promessas de viagem
Brisa fresca que reclama
As nossas almas ausentes
Suave
Cidade
Do sal
Do mar
Moro em Lisboa
E a tarde cai

mercoledì 1 ottobre 2008

...per chi si trovasse a Torino...



Ricevo e inoltro l'invito a questo evento che è sicuramente da vedere...peccato che sono sempre incasinata...

Il 7 ottobre si inaugura "Storie di Matite", articolato progetto sulla matita, oggetto indiscutibilmente legato alla vita quotidiana, simbolo principe di comunicazione e di creatività. Si tratta di un lavoro composto da più punti di vista, che prendono in esame questo oggetto semplice e allo stesso tempo carico di significati funzionali, simbolici, creativi, sociali. L’idea è di esplorare la dimensione della matita, come segno, materiale, suggestione artistica, visionarietà. Arte, musica, video, design, parola. Insieme è stata ideata una collettiva di artisti italiani, con lavori dedicati all’universo del disegno e della matita. La mostra, curata da Olga Gambari, presenta una molteplicità di declinazioni del genere “disegno”, creandone una wunderkammer.

Espongono:
Pierluigi Pusole, Bartolomeo Migliore, Valerio Berruti, Daniele Galliano, Saverio Todaro, Andrea Massaioli, Nicus Lucà, Nicola Ponzio, Ada Mascolo, Elisa Gallenca, Marcovinicio, Franco Rasma, Leandro Agostini, Guglielmo Castelli, Salvatore Astore, Andrea Aquilanti, Gino Sabatini Odoardi, Riccardo Gusmaroli, Elena Arzuffi, Matteo Fato, Manuela Cirino, Cornelia Badelita, Cris l'Orsa, Barbara Brugola, Elke Warth, Gosia Turzeniecka, Chen Li, Ursula Ferrara, Sergio Ragalzi, Andrea Chiesi, Maura Banfo, Elio Torrieri, Giorgio Griffa, Marco Cazzato, Giorgio Ramella, Marco Gastini, Luigi Mainolfi, Salvo, Luigi Stoisa, Enrico Tealdi

STORIE DI MATITE
un progetto di Leandro Agostini
in collaborazione con Marco Benna e Olga Gambari

Spazio Azimut
Piazza Palazzo di Città, 8 - Torino
Inaugurazione martedì 7 ottobre alle 18.30

fino al 31 0tt0bre dal lunedì al sabato dalle 14.30 alle 18.30

www.storiedimatite.it